the best of 2010

Inspirado no já tradiocional post anual, o blog traz pelo segundo ano, em listas, o que serve para guardar ou não das coisas que aconteceram em 2010. Here we go!

Álbuns

  • Belle and Sebastian – Write About Love [download]
  • Arcarde Fire - The Suburbs [download]
  • Jorge Drexler – Amar la Trama [download]
  • Tulipa Ruiz – Efêmera [download]
  • LCD Soundsystem – This Is Happening [download]

Shows

  • Paul McCartney – Morumbi
  • SWU: Pixies, RATM, Los Hermanos, Joss Stones, The Mars Volta, DMB, Otto e Tulipa Ruiz
  • Green Day – Anhembi
  • Solana – Rocker Club
  • Vitor Araújo – Tom Jazz
  • Belle and Sebastian – Luna Park

Coisas que fizeram 2010 faler a pena

  • Bed Intruder
  • Shows internacionais chegaram de vez ao Brasil
  • Juliet Nua e Crua
  • Inception
  • Cléo Pires
  • Ipad

Coisas inúteis de 2010

  • Revista Billboard
  • The Beatles na Apple Store
  • Os assuntos do TTBr
  • ‘Rock’ Colorido
  • Dunga

Me deu preguiça

  • Sites de compra coletiva
  • Vloggers
  • As brigas dos irmãos Gallaghers
  • A proliferação dos artistas de Stand Up
  • Marcos Mion

Fail

  • A corrida e filas para o Iphone 4
  • Comitê Club

Coisas que deveriam se repetirem em 2011

  • Radiohead e os Dvds criados por fãs
  • (Re) união do Los Hermanos
  • Show do Paul McCartney
  • Viagem para a Argentina com a namorada

here today

arrepia, BRASIL

via

tape #39

Entre músicas novas e alguns clássicos, a Tape de dessa semana vem para botar essa semana para cima. Aperte Play e aumente o volume.

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Tracklist

Got Some – Pearl Jam

Dig a Poney – The Beatles

Cristylised – Gorillaz

It’s My Party – Amy Winehouse (feat Quincy Jones)

Heart of The Country – Paul McCartney

I Dind’t See It Coming – Belle and Sebastian

Mixed Bizness – Beck

Toc Toc – Nina Becker

Sur Mon Couer – Mallu Magalhães

Plundered My Soul – Rolling Stones

Paranoid Android – Easy Star-All Star

If I Ever Feel Better – Phoenix

e assim foi o paul

Ainda com saudade. foi foda.

Helter Skelter

Live And Let Die

Get Back

All my Loving

Venus And Mars/Rock Show/ Jet

Blackbird

My Love

Let It Be

paul is alive


Se não fosse pelo suspensório e pela calça de cintura alta, diriam que tinha um jovem ali em cima do palco. Doce ilusão, o Paul nos fez sentir que estávamos num show de um artista empolgado com a música, como se fosse ontem, como se estádios lotados não fossem sua vida desde sempre.

Mas quem estava ali em cima do palco era Paul McCartney, Macca, Sir. Paul McCartney, whatever. Um dos caras que contribui para a criação de tudo que entedemos de música pop hoje: turnês, conceitos de álbuns, vídeo clipes, gravações de discos e muita coisa. Isso importa para poucos [e detalhistas] fãs de música.

O maior legado de Paul McCartney para a música são suas canções, suas parcerias e o coração grande de quem, desde muito jovem, fez da sua rotina falar para as pessoas o que elas nunca achavam palavras para se entender; e lá vinha um menino de Liverpool e pronto.

Do seu pai até você – mesmo você se achando muito moderno –, o Paul consegue fazer vocês dois chorarem do mesmo jeito quando encosta os dedos cansados no piano e começaWhen i find myself in times of trouble, mother Mary comes to me, speaking words of wisdom, let it be”. As lágrimas escorrem quando se repete quase como mantra Let it Be! “There Will be na Anwser, Let It Be”.


Não deve ser fácil abrir o coração para um estádio cheio e contar detalhes – em forma de música – de sua relação com o seu amigo de infância ["Here Today"] que foi assassinado loucamente por um lunático.

Nem deve ser fácil também cantar para milhares de pessoas, como se estivesse no piano em seu quarto escuro, a música que fez para a sua ex-esposa que morreu precocemente. Nada disso deve ser fácil, mas Paul deve saber bem disso. É para poucos a arte de cantar “Take a sad song and make it better” e realmente fazê-lo.

E cantar uma das músicas mais bonitas da música pop, de um cara que ele sempre cuidou como um irmão mais novo e tocá-la com o Ukelele dado por Harrison antes de morrer a Paul e que, desde então, ele sempre toca “Something” com ele. No fundo, parece que Macca tem um carinho de irmão mais velho com todos: faz com que todo mundo cante, anima o coro dos felizes depois das músicas, volta duas vezes para o bis para tocar uma música como Yesterday, que deve estar cansado de tocar, mas parece saber como é importante para quem está do outro lado.

Fãs do ieieiê, Wings, hippie, psicodélica ou qualquer outra fase que você acha que os Beatles e o Paul McCarteny tiveram, elas todas entraram no show. Desde a atual Dance Tonight até a All My Loving, o Sir fez um setlist que durou quase três horas, entre músicas e cantarolações junto com a plateia.

A apresentação é um dos espetáculos mais fantásticos do famigerado showbusiness, basta assistir à épica música para a trilha de 007: “Live and let Die”.

Longe dos fogos de artifícios disparados por cima do palco, estava a festa dentro de cada fã, ali no Estádio do Morumbi. Mesmo após o fim do show, os fãs foram embora cantando o trecho libertador de Hey Jude. Sabe o ”Na, na na na na na, na na na, Hey Jude“? Então, todo mundo cantando pelos corredores do estádio como se o show tivesse terminado, mas como se estivesse levando alguma coisa diferente daquele momento. Talvez um: “Remember, to let her into your heart,then you can start, to make it better.”

play it: paul macca

Já no clima do show do Paul McCartney, aí vai uma seleção de músicas fodona da carreira do baixista já longe dos Beatles.

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Set List

1. “Oh Woman Oh Why”

2. “Maybe I’m Amazed’

3. “Flaming Pie”

4. ‘Mrs Vanderbilt”

5. “Monkberry Moon Delight”

6. “Great Day”

7. “Live and Let Die”

8. “Fine Line”

9. “Uncle Albert”

10. “Band On The Run”

11. “Venus And Mars”

12. “My Love”

13. “Heart Of The Country”

14. “Jet”

15. “Oo You”

16. “If you Wanna”

paul apenas

O Ieieiê, pop, rock, experimentalismo, ácidos, gurus e o submarino amarelo… todo mundo conhece essas facetas do Paul McCartney nos Beatles. Mas depois que Macca anunciou a saída da banda – para inveja de Lennon – o baixista seguiu sua carreira como artistas sem os outros integrantes dos Beatles: às vezes como banda, como o Wings, e também sozinho.

Como gênio que é, acertou muito – e errou bastante também –  em seus álbuns longe dos colegas de Liverpool. Como o show do Paul chega essa semana em São Paulo, vamos separar 5 álbuns fundamentais da carreira “solo” de McCartney. Necessáriamente não são os melhores e nem estão em ordem de importãncia, mas são essenciais para mostrar um pouco da carreira dele longe dos Beatles.

É bom de brincar de top 5, né? Então vai aí os álbuns que você já tem ou deveria ter do Sir. Paul McCartney.

Ram

[download]

O álbum foi o segundo depois da separação dos Beatles. Como Lennon, a Paul recorreu a sua parceira para ser sua dupla na produção do álbum. Linda McCartney além de participar da produção também colaborou com as composição.

Um álbum com uma pegada ainda crua, muito instrumentos acústico; com boas linhas de baixo – of course – e a introdução de outros intrumentos de cordas como banjo – que em algumas músicas tem sonoridade interiorana, como ‘Long haired Lady’.

Destaque para as músicas ‘Uncle Albert’ e ‘Oh Woman Oh Why’.

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Uncle Albert

Band On The Run

[download]

Realmente uma das preciosidades de Paul em sua nova carreira. BOTR foi o álbum mais vendido de 1974. Com o Wings Paul consegue voltar a ter um álbum arrebatedoramente original e popular dentro de uma banda. O álbum foi gravado na Nigéria e pouco tempo antes alguns músicos abandonaram a banda.

Mesmo assim Band On The Run foi um álbum impecável e fica difícil destacar só algumas músicas como destaque. E, provavelmente, será um dos álbuns de sua carreira fora dos Beatles que mais vai contribuir com músicas para seu set list no show da próxima semana.

Mesmo assim, os destaques são: ‘Jet’, ‘Band On The Run’, ‘Mrs Vandebilt’ e ‘Let Me Roll It’.

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Let Me Roll It

McCartney

[download]

O primeiro álbum de McCarteny fora dos Beatles, em 1970. O álbum ainda foi lançado antes do anúncio oficial do fim da banda, antes mesmo do lançamento do álbum Let It be.

Entre as canções, o álbum McCartney traz algumas músicas da época da viagem de Paul para a India junto com os outros Beatles, uma canção da banda anterior aos Beatles, além de novas compostas em sua fazenda na Escócia. O álbum foi gravado boa parte nessa casa no interior da Escócia e tem um som mais simples, sem a produçao complexa de arranjos que marcou os últimos discos da carreira dos Beatles.

Ainda sem banda e sem anunciar ter saído oficialmente dos Beatles, Paul gravou no estúdio todos os intrumentos do disco.

Alguns destaques do álbum são: ‘Maybe I’m Amazed’ e ‘Momma Miss America’

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Maybe I’m Amazed

Flaming Pie

[download]

As gravações do álbum começaram em 1995, mas o disco só saiu em 1997. Por alguns, é considerado o melhor disco de McCartney e depois de muito tempo conseguiu voltar a ocupar o lugar dos discos mais vendidos, tanto na Inglaterra como no Estados Unidos. O álbum teve a participação de alguns companheiros musicais de Paul, entre eles Ringo Starr e, também, o filho de McCartney – James – que estreiou tocando guitarra na música ‘Heaven On The Sun’.

Alguns destaques do álbum: ‘Flaming Pie’ e ‘The Song We Were Singing’.

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Flaming Pie


Tug Of War

[download]

O primeiro álbum lançado após a morte do seu maior parceiro musical: John Lennon. Em homenagem ao colega, Paul compôs ‘Here Today’: que que leva o tom pacifista característico de John. O Álbum foi só lançado em 1982, 2 anos apoós a perda de Lennon.

Participaram das gravações Stanley Clarke, Carl Perkins, Eric Stewart e Ringo Starr. Stevie Wonder fez também um dueto com McCartney para o álbum - ’Ebony and Ivory’ – o grande sucesso do disco.

Não é um dos meus álbuns prefiridos do Paul McCartney, mas tem sua importância; principalmente por ser gerado num dos momentos mais delicados na vida do Paul,em meio a perda de Lennon.

Destaques:  ’Ebony and Ivory’ e ‘Take It Away’.

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Ebony and Ivory

fui ali

E já volto. Em Buenos Aires por alguns dias. Muita música, carne, vinho e bons shows. Abaixo vai um salve e um teaser para quem está em terras Brasileiras: o show do Sir Paul Macca aqui em BsAs.

set list | sao paulo | paul mccartney

provável set list de Macca nos shows do Brasil.

Brasil, São Paulo

beatles | rooftop concert

Com a eminente vinda do último Beatle no Brasil – ok. convenhamos… o Ringo é aquilo né: sempre vai ser um Beatle, mas sei lá – vale a pena rever o último show do grupo em púbico.

O famoso Rooftop Concert, que foi terminado precocemente pelos policiais britânicos, foi gravado e entrou para a história. Muitas coisas já estavam ali nas entrelinhas dos relacionamentos pessoais dos integrantes – isso fica claro para quem leu algumas entrevistas dos últimos anos do Beatles ou até mesmo o livro do Bob Spitz.

No entanto, fica claro que quando os amplificadores estavam ligados tudo virava surreal. A magia que era, mesmo em meio ao caos dos relacionamentos do fab four, eles se entregavam ao som quando tocavam.

Para aquecer a turnê Up and Coming Tour, que visita o Brasil, vale rever um dos momentos emblemáticos do Paul McCartney.

Primeira Parte

Segunda Parte

Terceira Parte

paul mccartney | ingressos | up and coming tour

Os ingressos para o show de São Paulo da Up and Coming Tour serão vendidos pela Ingresso.com. A pré-venda, entre os dias 15 e 20 de outubro, será um dos benefícios exclusivos para os Clientes Bradesco Cartões, que poderão ainda parcelar as compras com os Cartões de Crédito Bradesco e American Express Membership Cards em até quatro vezes sem juros. No dia 21 de outubro será aberta a venda geral para todo o público.

As vendas serão realizadas pelo site ingresso.com, ou pelo telefone 4003-3222 (ligação local de qualquer parte do Brasil). O horário de atendimento do call center será das 09h às 21h, todos os dias da semana.

A partir do dia 18 de outubro, será possível comprar ingressos também na bilheteria do estádio do Pacaembu (Rua Prof. Passalaqua, s/n.). As bilheterias estarão abertas diariamente, das 9h às 17h, mas não funcionarão nos dias de jogo.

Estarão disponiveis ingressos de R$ 140,00  a R$ 700,00 (preço de inteira). Cada pessoa  CPF poderá comprar no máximo seis ingressos.

A classificação etária do show é 14 anos. Para o caso de menor de idade desacompanhado dos pais, será necessário que o pai ou mãe do menor imprimam uma autorização que estará disponível no site, indicando o responsável legal maior de idade e levá-la devidamente preenchida e com a firma reconhecida no dia do evento para que o menor possa ter acesso ao local do show acompanhado do responsável legal. O termo que autoriza a entrada do menor encontra-se no site da Ingresso.com.

No site da Ingresso.com haverá um canal online de SAC exclusivo para o show de Paul McCartney.

fonte: assessoria de imprensa

paul mccartney no brasil

Estava chegando perto e finalmente chegou ao Brasil. Três shows de Paul McCartney foram confirmados para o Brasil: um em Porto Alegre e dois em São Paulo. Por enquanto, as datas seriam dia 7 de novembro para o sul do Brasil, e nos dias 20 e 21 na Capital paulista.

Há alguns meses já estava confirmado shows em duas outras cidades na América do Sul, Santiago e Buenos Aires – cidade em que eu irei ao show =)

As informações sobre os ingressos ainda não foram liberadas, mas é bom ficar ligado por que a vinda de um Beatle ao Brasil é motivo para correria e não há motivos de ficar de fora do show de um dos nomes mais importantes da história da música pop.

Para curtir a notícia, Dave Grohl cantando Band on The Run para o Sir. Paul McCartney na casa branca, ao lado de Obama.

dance tonight!

Quinta já é fim de semana! Everybody gonna dance tonight!

Música do Paul e que conta com a Natalie Portman no clipe.

Everybody gonna dance tonight
Everybody gonna feel alright
Everybody gonna dance around tonight

left hand

Há quem diga que a melhor carreira solo do quarteto de Liverpool seja do apagado George Harrison. Após o rompimento dos Beatles, o tímido guitarrista se trancafiou em retiros em que passava os dias meditando sobre a orientação de Ravi Shankar. Dessa experiência bicho-grilo, surgiu um dos discos solos mais aclamados dos integrantes do Fab Four: all Things Must Pass.

Por outro lado, o braço esquerdo dos Beattles, Paul McCartney, tem uma reconhecida carreira solo. Os primeiros discos – o primeiro lançado ainda no auge das divergências entre os Beatles – foram bem avaliados e tiveram sucesso nas vendas. Na sequência, bons álbuns lançados com o Wings o consolidou em sua carreira dele fora dos Beatles.

Nos acréssimos de 2009, Paul lançou um disco que compila os bons momentos dos Beatles e de sua carreira fora da maior banda da história da música pop. O show foi gravado durante o Summer Festival ´09, em New York, e foi lançado nos últimos meses do ano que passou.

O resultado é um CD duplo com sucessos – ou não – deste virtuoso multi-instrumentista. O braço esquerdo inglês que escreveu as melodias e letras que ainda fazem parte do mostruário do que há de melhor na música pop.

Confira o CD duplo de McCartney –> download

Entrevista com McCartney

O ex-Beatle fala à revista Rolling Stones EUA sobre o verão de 1967. Confira a tradução da entrevista do bassman dos Beatles.

Link para o download de um dos melhores álbuns da carreira solo de Paul: Band On The Run

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Como foi o “verão do Amor” para você?
Legal pra caramba. Tínhamos acabado de decidir que suspenderíamos as turnês porque já não estava mais valendo muito a pena. Parecia que não estávamos progredindo, o público continuava berrando, mas a gente se encheu daquilo. Tínhamos a idéia de fazer um disco que sairia em turnê por nós. Isso veio de uma história que tínhamos lido a respeito do Cadillac de Elvis fazendo turnê. Achamos que era uma idéia maravilhosa: ele não sai em turnê, só manda o Cadillac. Fantástico! Então, pensamos: “Vamos despachar um disco”. Passamos mais tempo em estúdio, e o resultado foi Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967). Então, foi maravilhoso. Estávamos amadurecendo? Não sei. Olhando em retrospecto agora, éramos praticamente crianças, apesar de nos sentirmos muito adultos. Tanta coisa tinha acontecido com tanta rapidez, certamente desde a viagem dos Beatles para os Estados Unidos em 1964. Em essência, aqueles três anos foram a diferença entre “I Want to Hold Your Hand” e “Sgt. Pepper’s.” Os tempos estavam mudando, como sr. Dylan disse. Só estávamos seguindo nossos instintos, mas havia um grande arroubo de energia, as idéias vinham rápidas e consistentes. Todos os tipos de idéias novas – artísticas, políticas, musicais. Começamos a escrever coisas que eram diferentes porque nossas conversas, nossos pensamentos e nossos sentimentos eram diferentes. Estávamos passando muito mais tempo longe da estrada, com outros artistas, e isso nos permitiu investigar outras coisas. Tínhamos muitos amigos no mundo da música e no mundo da arte, e havia uma grande fertilização cruzada. Foi uma época ótima para experimentar coisas e tudo isso penetrou na nossa música e no nosso estilo de vida.

Eu me lembro do impacto de Sgt. Pepper’s como algo instantâneo e onipresente, tocando em toda casa noturna a que se ia, toda loja de roupa, toda loja de discos. Você fazia idéia de que teria esse tipo de efeito?
Foi ótimo, para falar a verdade. Como tínhamos parado de excursionar, a mídia começava a sentir que as coisas estavam calmas demais, o que criou um vácuo, de modo que puderam falar mal de nós. Diziam: “Ah, a fonte secou”. Mas nós sabíamos que não tinha secado. Sabíamos o que estávamos fazendo, e sabíamos que nossa fonte estava longe de secar. Na verdade, o oposto estava acontecendo – vivíamos uma enorme explosão de forças criativas. Nós pressentimos isso. Realmente não comentamos o assunto com muita gente. Tocávamos uma demo aqui, outra ali [para os amigos] e tal, mas o mundo de maneira geral não sabia de nada. Mas, como disse, o que alguns críticos comentavam era: “Ah, eles estão acabados”. Enquanto isso, estávamos lá trabalhando com alegria, como os Sete Anões – “Trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho!” [risos]. Estávamos nos divertindo muito, obviamente, montando essa coisa. Daí, quando saiu, foi fantástico. Naquela época, costumávamos lançar [álbuns] na sexta-feira, e aquele fim de semana foi uma coisa. Eu me lembro de ter recebido telegramas que diziam coisas como: “Vida longa a Sgt. Pepper’s!”. Esse era o sentimento geral, e era maravilhoso. Naquele domingo, Jimi Hendrix tocaria no Saville Theatre no West End de Londres, e ele abriu o show com o tema de Sgt. Pepper’s. Cara, o disco estava mesmo em todo lugar! E é claro que nós só ficamos surfando naquela onda artística. Foi bem bacana exercer tanta influência assim. Como eu disse, era verão, e o sol brilhava, e lá estávamos todos nós, no maior astral [risos]! Eu me sinto muito privilegiado por ter vivido aquilo, em primeiro lugar e, em segundo, por ter sido o epicentro dos acontecimentos.

Deve ter sido uma sensação muito estranha – passar por mudanças enormes e, simultaneamente, gerar mudanças similares para milhões de outras pessoas.


Foi sobrenatural. Nós tínhamos nos acostumado com uma parte disso simplesmente por sermos os Beatles. Até “I Want to Hold Your Hand” tinha deixado as pessoas loucas. Mas agora a coisa passava para outro nível. Estávamos entrando no coração e na mente de todos.

Parecia muito que Sgt. Pepper’s fazia parte do sentimento daquela época em que, de algum modo, tudo iria se transformar, que nada jamais voltaria a ser como antes.


É engraçado, conheço muita gente que, depois dos anos 60, teve uma sensação de decepção que nunca passou. Eu pessoalmente achava que, ao passo que tudo estava mudando, não necessariamente significava que tudo mudaria. Nós tínhamos longas discussões a respeito de como um dia as pessoas da nossa geração se tornariam primeiros-ministros, e seria bem sobrenatural [para eles] o fato de terem sido afetados por esse período. Mas, ao mesmo tempo, éramos realistas, e pensávamos: “É, mas vão continuar sendo políticos”. Dava para saber que tudo que estava acontecendo no mundo mudaria a ordem das coisas em alguns aspectos, mas não em todos. E isso está provado pelos nossos líderes atuais. Eles continuam presos aos anos 40 ou algo assim.

Houve algum acontecimento específico que fez com que você se desse conta de que os anos 60 não cumpririam suas promessas?


Suponho que preciso considerar o rompimento dos Beatles como o momento mais sombrio. Os Beatles chegaram a um ponto em que implodiram – todos tinham dinheiro e fama e, de vez em quando, era inevitável que nos irritássemos uns com os outros. Eu tinha conduzido a dança um pouco em Sgt. Pepper’s. Para mim, o título e a idéia toda foi inspirada pela época e pela fertilização cruzada com os outros artistas. Queria que fosse algo do tipo: “Uau, cada um de nós tem sua lista de heróis [na capa] e vamos assumir estes alter egos. Seremos pessoas novas fazendo este disco, e podemos mais ou menos viver nestes corpos novos e fazer um álbum como se fôssemos outra banda”. Aquilo foi libertador. Mas, depois disso, não dava para sentir que era possível seguir em frente como aquela outra banda. Você inevitavelmente voltava à terra, fazia parte dos Beatles.

E foi aí que os problemas começaram…
Foi quando começamos a discutir assuntos comerciais, principalmente com o advento de Allen Klein – ou “um certo empresário norte-americano”, ou seja lá como somos obrigados a nos referir a ele. Deixemos para o departamento jurídico resolver. As conversas passaram a ser assim: “Ah, que merda, vamos ter mesmo que pensar sobre isso agora ou perderemos tudo por que trabalhamos”. E isso causou um racha tremendo.

Você acabou processando os outros Beatles.
Foi o pior momento da minha vida, quando me informaram que não poderia me opor a esse tal de Klein, esse “suposto empresário norte-americano”. Como ele não era uma das partes de nenhum dos nossos acordos, precisei brigar contra os outros três caras. Foi uma situação com a qual me debati durante meses. Ou era: “Não, não brigue com esses caras e perca tudo para todo o sempre” ou “Brigue com esses caras e salve tudo”. Foi um dilema. No final, pensei: “Acho que eles não sabem o que estão fazendo, estão cometendo um erro pavoroso”. Então eu, de fato, briguei no Tribunal Superior e venci, por sorte. Isso criou um estigma terrível para mim, como sabia que criaria – não tinha entrado naquilo de bobo. Sabia qual seria o preço. Mas achei que, no fim, as pessoas descobririam que tinha razão. E foi gratificante quando todos os caras, no final, piscaram para mim e disseram: “Foi bom você ter feito aquilo”. Até Yoko [Ono] reconheceu isso. Mas foi uma coisa horrorosa de se viver. Foi quando o sonho se desfez para mim.

Houve um ponto em que você sentiu que, apesar da dissolução da banda, seria capaz de seguir em frente e continuar a se divertir?


Fazer o álbum McCartney (1970) foi bom para mim nesse aspecto, porque realmente retornei às raízes. Eu me senti bem, e isso é bom. Até hoje, as pessoas reparam naquele álbum. Com freqüência acontece com os artistas e os músicos – eu ia dizer especialmente, mas acho que está mais para igualmente – de o trabalho ser aquilo que faz você se compreender. A música é especialmente boa para isso, é uma boa terapia. Estava passando pela coisa terrível de perder a amizade daqueles meus camaradas da vida toda, e para quê? Bom, a mim parecia que o motivo era tentar salvar a vida deles. Aliás, não existiria uma [gravadora] Apple para estar em litígio com a Apple, não existiria problema algum com Steve Jobs – e não existe mesmo, falando nisso, já foi tudo resolvido -, mas não existiria uma Apple Records hoje. Tudo teria desaparecido; a coisa toda simplesmente não existiria. Não haveria nenhum show em Las Vegas, não haveria nenhuma destas coisas que agora estão aí tão gloriosas se não tivesse tomado aquela atitude. Mas foi uma decisão dura de verdade. Foi uma daquelas coisas que exigem terapia depois, e para mim, voltar à música foi essa terapia. E, é claro, com a enorme ajuda de Linda. Ela foi uma das grandes responsáveis por me fazer voltar à vida e seguir em frente. Ela era um bastão de força naquele momento. Isso e produzir música fizeram com que atravessasse aquele período.

Você, George e Ringo puderam desfrutar os ressurgimentos dos Beatles. John, é claro, morreu antes de boa parte disso acontecer, e agora George também se foi.


Esta é a pior parte de ficar adulto. Você perde amigos, é inevitável. Não é exatamente uma surpresa, mas é terrível. É muito triste. Conhecia John intimamente há tanto tempo. Sempre me admiro com o fato de eu ter sido o cara que se sentava com John para escrever todas aquelas coisas. Éramos só ele e eu em uma sala e isso era bem especial. Então, perdê-lo foi horrível. E foi especialmente triste porque tínhamos superado a desavença dos Beatles. Apesar de ele estar morando em Nova York, nós conversávamos com bastante regularidade. Simplesmente conversávamos sobre coisas cotidianas – sobre o filho dele, Sean, e sobre a vida em geral, sobre os pães que ele assava. Trocávamos receitas de pão, era ótimo. Então, simplesmente foi uma tragédia horrível ele ter sido arrancado daquele jeito. No caso de George, foi igualmente trágico. Eram meninos tão lindos, sabe? [Ele faz uma pausa, e sua voz treme] George era simplesmente um sujeito ótimo. Ele era um garotinho que eu conheci em Speke, Liverpool, só um garotinho que entrou no meu ônibus. Eu subi no ponto anterior ao dele, e ele entrou e nós começamos a conversar sobre guitarras e rock’n'roll. Depois, quando estávamos procurando um guitarrista, e eu mencionei o nome dele a John, George se juntou ao grupo. E daí passou a ser apenas o sábio George. Ele era um sujeito lindo que não agüentava gente burra. Era uma alma muito linda. Nem me deixe começar, cara. É um horror ter perdido aqueles caras. Mas a verdade terrível é ser adulto.

Você tem idéia do que continua a tocar as pessoas com os Beatles depois de todos esses anos?
Acho que, basicamente, é a magia. Os Beatles eram mágicos. Para mim, a vida é um campo de energia, um punhado de moléculas. E essas moléculas específicas se formaram para que aqueles quatro caras virassem os Beatles e fizessem todo aquele trabalho. Preciso pensar que foi algo metafísico. Uma coisa que deve ser considerada mágica. Estou sendo muito extravagante? Se você quiser ser prático, acho que as músicas eram muito bem estruturadas. Quando as canto atualmente em shows, penso: “Isso aí é bom, é sim. Que verso bom. Ah, entendi!”. É uma redescoberta. Você simplesmente lembra: “Ah, foi por isso que fiz assim”. Então, elas também têm uma força física, é trabalho bem-feito.

Você teve papel importantíssimo depois dos ataques de 11 de setembro, organizando o Concerto para a Cidade de Nova York e ajudando a reconstruir a confiança da cidade. Mas muita coisa aconteceu para complicar nossa noção do que houve naquele dia. Quando você pensa em 11 de setembro hoje, o que lhe vem à mente?
Bom, tenho minhas lembranças pessoais de estar no [aeroporto de Nova York] JFK e de ver a fumaça das torres gêmeas. O aeroporto fechou, nosso vôo foi cancelado, fomos para Long Island e ouvimos o noticiário e assistimos a TV. E depois pensei em fazer meu próprio concerto, mas tudo culminou no Concerto para Nova York, que foi ótimo, porque muita gente queria fazer alguma coisa. Foi ótimo fazer parte daquilo – ajudar os norte-americanos em particular, mas o mundo de maneira geral, a colocar seus sentimentos em algum lugar. A oportunidade perdida foi que as pessoas ficaram com um enorme sentimento de solidariedade em relação ao povo americano, e as ações políticas que se seguiram a 11 de setembro desperdiçaram a oportunidade. Foi como se alguém no playground tivesse apanhado, mas não sabia quem tinha batido, e por isso resolveu descontar na pessoa mais próxima – e isso se transformou no Iraque. A agenda política é a culpada.

Olhando para a frente, quais são as principais questões que se colocam agora?
Fazer algum avanço em direção à paz mundial. Seria ótimo se as pessoas com diferenças no mundo hoje percebessem que não existem diferenças – é um campo de energia! Precisamos da mesma velha coisa de sempre: paz e amor. Não sendo frívolo, mas esse continua sendo o grande objetivo. Bom, e vocês aí precisam de um novo líder [risos]! Quer dizer, isso ajudaria.

Nem brinque…
O ambiente é uma realidade. Algumas pessoas me dizem: “Há tantas causas, não sei quais apoiar”. Há as minas terrestres, os maus-tratos com animais, só para mencionar duas pelas quais me interesso. É como se considerassem este o problema: “Qual causa apoiar?”. Eu respondo: “Não entre em pânico, apenas escolha uma que o agrade e vá em frente. Todas estão conectadas”. Mas eu sou otimista, tem muita gente bacana por aí. No momento, temos montículos de terra. E tudo bem. Isso é bom. Mas precisamos que se transformem em uma montanha. Tem muita gente inteligente por aí, mas, infelizmente, também tem um monte de imbecis. Mas o meu otimismo me leva a torcer para que os inteligentes construam a montanha.

E qual você gostaria que fosse seu legado pessoal?


Sempre que me perguntavam como eu gostaria de ser lembrado, respondia: “Com um sorriso”. Mas gostaria que as pessoas entendessem o que eu fiz e pensassem que há uma enorme força naquilo. Gostaria que as pessoas pensassem que uma parte daquilo chega a ser demoníaco de tão forte. Isso me bastaria.

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