No último domingo, dia 4 de Julho, na Islândia, rolou o festival Inspired by Iceland, onde aconteceu apresentações musicais celebrando a natureza.
Tudo bem que você já não deve mais aguentar ouvir a palavra sustentabilidade, mas artistas bacanas se apresentaram por lá, como Damien Rice e Glen Hansard. Os shows aconteceram na capital Reykjavik, e teve mais de 10 shows transmitidos pela internet. Se você não viu, veja aqui!
Damien Rice
Damien Rice from Inspired By Iceland on Vimeo.
Glen Hansard
Glen Hansard from Inspired By Iceland on Vimeo.

A menina é talentosa. Isso já se sabia quando alguém ouvia a suave voz femininas nas canções do Damien Rice, como na música 9 Crimes.
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A ‘menina’ que aveludava as canções de Rice, Lisa Hannigan, largou a parceria com o irlandês após desentendimentos e botou a voz nas sua próprias músicas, em 2008.
Sea Sew é um álbum suave que traz muitas influências de folk, mas com a característica da melodia e da suave voz de Hannigan.
Confira o clipe Lille. Arte + Música

Já vai fazer 10 anos desde o freak out por causa do Bug do Milênio. Isso mesmo, colega, o tempo passa rápido. E pensando nessa voracidade em que o tempo e os acontecimentos passam [lembra do álbum Kid A? É... também já se vão dez anos], vamos puxar o freio de mão, apertar o stop e viajar no que foi de bom entre 2000 e 2009.
Para muitos, os últimos 10 anos foi o período em que frequentaram mais ativamente o circulo musical; não só ir em shows, mas comprar CDs [é, caro leitor, as pessoas costumavam comprar. Lembra daquele tempo?], esperar os lançametos, etc.
Na Paradoxo [semanário digital no qual sou editor de música] fizemos essa brincadeira. Pedimos para que 5 colaboradores enviassem os seus top 5. Inspirado no personagem que definia a vida em listas, Rob Gordon [High Fidelity], eles apontaram aqueles álbuns em que aumentam o som quando eles tocam.
Como fiquei de fora da brincadeira, jogo, aqui, confete no que foi essencial aos [meus] ouvidos nos últimos 10 anos.
*A ordens dos álbuns é aleatória.
O | 2001 – Damien Rice (download)
Irlandês pouco badalado, mas com um talento musical incrível. Fã de música brasileira, em seus shows chega a executar musicas de Jobim como Desafinado e Águas de Março. Damien fez em seu álbum debutante [O] um passaporte para experimentações acústicas e poéticas.
Sky Blue Sky | 2007 – Wilco (download)
A definição do Diego Brotas em sua matéria na Paradoxo explica bem: “músicos maduros e extremamente competentes”. Um álbum com linhas de guitarras originais, sendo, simultaneamente, sofisticadas e simples. Realmente uma obra-prima da carreira da banda.
In Rainbows | 2007 – Radiohead (download)
O Kid A foi mais inovador e completo musicalmente. No entanto, fico com o In Rainbows como um dos 5 melhores CDs da década. O álbum apontou novas formas de se pensar o consumo de música e a indústria cultural. É um bom disco e que faz bem o seu papel sonoro para que o Radiohead [mais uma vez] possa indicar novas tendências na música.
Back to Black | 2007– Amy Winehouse (download)
A música negra retorna ao dial com as interpretações e composições de Amy. Garota talentosa, o som negro dos Estados Unidos é muito bem representado na obra dela. Em especial, o Back to Black é um CD que reúne diversas expressões da sonoridade negra: funk, soul, R&B, entre outras; tudo num altíssimo nível.
Bloco do Eu Sozinho | 2001 – Los Hermanos (download)
Um álbum considerado o abre-alas da música brasileira nesta última década. Um disco ousado, fora dos padrões de mercado, que foi recebido muito bem pela crítica [e isso importa?] e pelo público [esses sim!]. Neste álbum, Los Hermanos rompe com sonoridades que haviam carregado em seu primeiro álbum e se lançam em rumos diferentes. Hoje é fácil de imaginar, mas, em 2001, foi um CD ousado e desafiador. Um novo ânimo pra música brasileira.

Damien Rice em São Paulo
“Cuidado com o que você pede, pois pode ser que você consiga”, essa máxima se fez valer no show de Damien Rice na última sexta-feira, dia 30, em São Paulo. Quase 2 mil pessoas encheram o Citibank Hall para assistir o primeiro show do músico irlandês em terras tupiniquins.
Show improvisado, em que o público praticamente montou junto com Rice o set list da apresentação. Entre uma música e outra surgiam gritos da platéia e que eram prontamente atendidos. “Deixa eu escolher a próxima canção e depois você escolhe”, brincou o astro da noite enquanto choviam pedidos de músicas da platéia.
Damien Rice tem, ao mesmo tempo, muito e pouco de um astro. Dotado de um talento “gritante” e original, o cantor se comporta em cima do palco com a naturalidade dos artistas de ruas – daqueles bem talentosos. Característica talvez guardada do tempo que abandonou a chuvosa Dublin para tocar pelas ruas de Toscana, na Itália.
Em sua apresentação em São Paulo, Rice misturou um pouco de músico de rua, com karaokê, teatro, concerto, e outras milongas mais; além de um bafo de várias taças de vinho tinto, bebidas em sua dramatização de Cheers Darlin’, ao lado de dois fãs.
Apenas acompanhado de seu violão, Damien Rice subiu ao palco para fazer entrar em contradição aqueles que acreditavam que uma performance acústica não seria tão impactante quanto os seus álbuns de estúdio. E não foi, foi mais ainda; a
s interpretações ao vivo de suas próprias músicas, beiravam a uma releitura de si mesmo. E sobre a Lisa Hannigan e a banda com cello, baixo e bateria? Devem ter sido lembrados apenas depois show, no papo entre os amigos sobre a apresentação.
O show começou com a canção The professor & la fille danse, uma música teoricamente desconhecida e que somente foi lançada, em 2004, num disco intitulado B sides, mas que já nas primeiras chacoalhadas da mão de Damien nas cordas do violão foi o bastante para fazer o público gritar e cantar, acompanhando a letra da música inicial. Em seguida, Rice executou a música Delicate, e, na seqüência, para atender um grito que veio da platéia tocou Sand. Esta última uma música que nunca foi lançada em álbuns oficiais ou nos vários discos singles feitos pelo irlandês.
Dessa forma seguiu o show: uma música do palco e algumas que vieram da platéia. Até a hora em que uma parte da platéia subiu ao palco, a convite de Rice, e cantou o refrão de Volcano. Um presente para os fãs fiéis que estavam lá e que, por alguns momentos, tiveram a oportunidade de dividir o palco com seu ídolo. “Eu estava lá, imediatamente ao seu lado, fascinado com minha sorte, sua aparência frágil e a força de sua voz o tornam irreal apesar de estar ali ao meu lado”, conta, não acreditando, o “tiete” Marcelo Moraes. [youtube=http://www.youtube.com/watch?v=ujIB1HKBR24]
Com pouco mais de duas horas de show, um pouco de tudo aconteceu: atendeu aos pedidos da platéia, pediu para desligar todas as luzes da casa de show, inclusive as do palco para cantar, em completa escuridão, Cold Water; dispensou o microfone e cantou no captador do violão o final da letra de I Remember; desligou o microfone e o violão para cantar Delicate para a platéia, apenas “na madeira”; tocou a música do poeta canadense Leonard Cohen, Hallelujah, na versão de Jeff Bucley; convidou Max de Castro pra tocar o clássico da Bossa Nova, Desafinado, apenas porquê não ele sabia “those fuck jazz’s chords”, entre outras muitas peripécias de um artista de rua que ousa excursionar pelo palcos do mundo com a sua música.
O show deixou claro que Damien Rice é muito mais do que o clichê de ser um cantor folk. Apesar do gênero estar na moda, e nomes como Jonny Cash, Neil Young e Bob Dylan estarem na boca, até de meninas de 16 anos que acham cool ser folk; Rice vai além desse estereotipo e consegue voltar à essência deste ritmo raiz.
Apenas com um violão e a sua voz canta uma música do povo, diferente daquela cantada há 40 anos, até por que a demanda desta juventude é outra, e parece que esse, nem tão jovem, irlandês procura seguir seu próprio ruma na musicalidade. Assim como Robert Zimmerman, fez em 1965, sem deixar de ser folk.
Ativista de carteirinha
Após sete anos do lançamento do seu primeiro álbum, O, a sua turnê só aconteceu no Brasil por um motivo: para levantar fundos para as vítimas da chuva em Santa Catarina. Damien Rice participa de campanhas de caridade ao redor do mundo com muito engajamento, além de ser vinculado a algumas organizações de caridades não-governamentais.
No ano passado participou de álbum lançado em prol da causa do Tibet, além de ter ajudado famosas campanhas como a Freedom Campaing, pela luta dos direitos humanos.
A pedido de uma amiga, Rice topou vir ao Brasil para fazer um show em SC, doando o seu cachê aos necessitados. Com essa brecha, foi possível encaixar um show em São Paulo e uma participação na gravação do DVD, no Rio de Janeiro. Mostrando que esse talentoso Irlandês está além do “é isso aí”, e que carrega no, seu violão, uma arte cheia de sentindo, mas não o mesmo sentido do show business.
Mais Damien Rice:
[youtube=http://br.youtube.com/watch?v=TsuPT-9gJsU]
“This is a song about getting up in the morning and falling down the stairs on your way into the kitchen. And going into the kitchen with a really sore ankle. And taking some food out for breakfast and realizing that the yougurt has got fungus on the top. Then you decide, ok, I’ll just have some fruit. The fruit’s not particularly satisfying, because you’re looking for something a bit more comfortable. There’s a tin of beans, but you’re just not inspired. You go out, to go down to the shops.
You had a piece of an apple, but it had been sitting for too long so it wasn’t particularly nice. So you get in the car and go down to the shops. You get in the car and on your way to the shops to pick up some stuff, and on your way to the shops you realize you forgot to bring money. You go back to the house, and by the time you get back to the house you’re dizzy from being so hungry. You start getting really pissed off. Your mother calls, and its not the conversation you wanted to have right at that moment in time.
You decide you’re going to stay in and you’re not going to eat anything because you’re just fucked off. So you call a friend later on that day and she says “come on over to the house. Just get on the bus, and come on over to the house”. So you get on the bus, go to your friends house. She says “what’s up with you?” “I don’t fuckin know, I’m just pissed off” And she’s one of these people that it doesn’t matter that you cursed at your mother earlier in the day or it doesn’t matter if you’re a dick, she just accepts you and likes you for who you are. At this point you’re looking for anything to give you a bit of solace. And your friend says “hey look, why don’t you stay the night here tonight? My bed is by a big massive window, you can just stare out at the stars.” And for a moment, the guy in you goes “cool”. And she continues talking, in mid sentence you had this thought and she says “yeah I’ll stay up by my sister tonight.”
Anyways, so she tells you to look at the stars and just ask them for a sign, you know, she says “when you’re really down, just ask them for a sign”. Ever so mildy hippy, this girl. And so I remember lying there and kind of going “ok, goodnight” she closed the door. Waited a few minutes, looked at the stars. Everything went quiet. Spent a bit of time with myself. Felt a little bit better. Then decided to go to plan B, and started looking at the stars and said “Ok stars, give us a sign”.
And right at that moment where I said “common, just do something” there’s a shooting star and I thought, “Fuck…cool!” but then I got cynical straight away. And I looked up and I said “Look, I’ve seen a fucking shooting star before, I want you to impress me tonight, I want you to show me something to really believe in”. I don’t know what happened, but something happened. I don’t think I’d been drinking or, you know, under the influence of anything, but something very strange happened and the next day I wrote this song.”
Um dos compositores mais importante na atualidade, na minha opinião, irá tocar no brasil no fim deste mês: Damien Rice. Ele irá realizar o primeiro show em São Paulo, no dia 30 de janeiro, e , no dia 1º de fevereiro, em Florianópolis.
Em 2007, tive a oportunidade de ir ao show deste gênio. Muita musicalidade e despretensão fizeram todos que estavam na platéia ficarem impressionados com a forma de se apresentar: simplismente única. Improvisos, conversas e piadas, tudo fluia de acordo com felling do artista.
Todo o improviso da música dele reflete nos albúns que ele lançou. Damien Rice já colocou no mercado varios albúns com 4 ou 5 músicas, e shows gravados. Muitas dessas músicas estão na ponta da lígua dos fãs, mesmo que, oficialmente, o Damien Rice só tenha dois LPs (Long Play) . Essa música abaixo foi apenas lançada no álbum B side
[youtube=http://br.youtube.com/watch?v=YYOAslBbURI]
Abaixo segue uma entrevista de Rice, onde explica um pouco sobre o seu processo de compor e de se apresentar.
[youtube=http://br.youtube.com/watch?v=Rz_CoLdG1jQ]
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