Cancao em tracos e curvas

publicado na paradoxo.me. Vai lá!

Se você pudesse desenhar a sua canção favorita em traços e cores? Tá bom, uma canção é muita coisa. Um trecho, um refrão ou um acorde. Aquilo que te emociona. Como seria visualmente aquela frase sonora que te dá arrepios ou aqueles suspiros gostosos de se dar? A Daniela Hasse fez disso uma profissão; na verdade, isso a transformou em uma profissional. Mas as coisas não são tão simples quanto pode parecer pela história que essas linhas vão contar. Esta é a história de paixão pela música que a fez descobrir o que queria ser – e se tornou.

Os Pixies, Wilco, Blur, Weezer. Talvez poucos destes entendam de artes gráficas, mas Daniela encontrou também neles os traços para transformar em desenhos suas paixões. Uma paixão que impulsionou a outra: a música e as artes plásticas. “Eu sempre tive isso de desenhar música. Pegava um trecho que eu gostava da música, desenhava e colocava no meu Fotolog. Eu era bem novinha”.

Daniela Hasse, ou, simplesmente, Dani Hasse, tem despontado como uma das boas surpresas nacionais pra quem curte pôsteres. Ela já assinou a arte de cartazes de shows de nomes como Rainbow Arábia, Cidadão Instigado, Lulina, entre outros. Para quem acha que é moleza tocar a vida fazendo pôsteres de banda, Dani já avisa: “eu faço pôsteres, mas não é só com isso que tiro a minha grana pra viver. Faço outros jobs de design e ilustrações. As bandas que eu curto não têm muita grana, é o underground, então eu pego outros jobs para continuar podendo fazer esses trabalhos que eu curto muito”.

pôster feito para a festa ‘don’t touch my moleskine’

Entre um cigarro e outro, sentada no chão de sua casa, vigiada de perto pelos seus gatos – Six e Ramona – com uma parede que mais parece um backdrop artístico, com vários trabalhos de design pendurados, ela se sente otimista com o futuro do mercado para seu tipo de arte.

“A internet tem, na verdade, aumentado as oportunidades para o trabalho. Hoje chegam pedidos de ilustrações de background para MySpace, Twitter, ilustrações para blogs, encartes virtuais de CD, além dos tradicionais jobs”.

do começo

“]Daniela Hasse
Daniela Hasse [foto: Marcela Faé

Sua escola foi a moda. Sem o domínio da parafernália tecnológica, se arriscou em um teste para fazer estampas na Colcci e passou. “Hoje tem muita gente que domina muito a parte técnica, mas não tem o domínio do básico, do desenho”. Após sair da Colcci, foi parar na Hering, em Blumenau, só que em seguida, foi transferida para São Paulo, onde continua, e pretende ficar “até ficar bem velhinha”.

Apesar de ter saído do vaidoso ramo de moda, continua a colaborar com estampas para camisetarias online, onde os modernos montam parte do seu guarda-roupa.”Já pensei, sim, em ter uma camisetaria. Eu comecei no ramo e conheço bem os processos. Mas hoje estou apertada de tempo para enviar as estampas para a Elephant por causa dos jobs de design que faço”.

voltando a falar de música

we musicA indústria fonográfica mal consegue pensar em soluções para a lama que está se afundando. Mas artistas como a Daniela Hasse já faz hoje, idéias que alguns ainda acham que falta muito para acontecer. “Alguns trabalhos como encarte virtuais para álbuns já surgem, como o que eu fiz para o We Music. São coisas que tão surgindo e parece que haverá mais espaço”, comenta Daniela.

O que vai acontecer, a gente não sabe, né? Mais sempre há espaço para a arte gráfica junto à música, elas andam lado-a-lado. Algumas capas de discos ficaram tão conhecidas como os álbuns. Lembra da capa do The Velvet Underground and Nico? Nervemind, do Nirvana? Sgt. Peper´s, dos Beatles? The Dark Side of the Moon, Pink Floyd. É o visual dando traços e curvas ao sonoro.

Se as artes plásticas ligada com a música vão ficar apenas no seu avatar, ou no background do Twitter ou do MySpace, no email que chegue pra você ou na tela do seu ipod… Ninguém sabe. Mas é certo que vai precisar de pessoas com sensibilidade pra colocar isso em cores, para que todos possam enxergar com os olhos algumas notas da canção.

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