
Uma vez me falaram: “Esse último álbum do Arctic Monkey [Humbug] está meio esquizofrênico. Isso me assusta”. Foi isso que pensei quando pluguei os fones no ouvido e fui dar uma volta de bicicleta [minha nova mania] ouvindo o novo disco de Jorge drexler, Amar la trama.
No primeiro momento intimida, principalmente depois do último álbum [Cara B] que Drexler o comanda quase somente com o violão. Os ataques dos metais nas músicas iniciais são um susto, mas no contínuo das minhas pedaladas chego em canções mais longes e percebo que continua tudo ali: musica brasileira, cultura latina, milongam, e etc.
A bagagem de vida musical de Jorge está presente naquele trabalho, só que desta vez o marco zero de sua expedição não é o Uruguai, a Catalunha ou o Brasil; mas, sim, Madri. “Eu não preciso gravar Pixinguinha para mostrar respeito à música brasileira. Ela tem presença forte no que faço. Mesmo que às vezes se manifeste sutilmente, está no meu jeito de tocar”, explica o cantor.
Três Mil Milones de Latido e La Trama Y El Desenlace são as duas canções que abrem o disco e mostram um outro Drexler, um lado novo, mas soa já conhecido. A segunda faixa do disco tem na letra da canção Madri como pano de fundo.
“Camino por madrid en tu compañía,
Mi mano en tu cintura,
Copiando a tu mano en la cintura mía.
A paso lento, como bostezando,
Como quién besa el barrio al irlo pisando,
Como quién sabe que cuenta con la tarde entera,
Sin nada más que hacer que acariciar aceras”
As músicas seguintes trazem uma atmosfera que se reconhece detalhes de tudo que Jorge Drexler já fez, só que em outras formas e sons. Hoje, Drexler, para mim, é um dos músicos mais criativos e originais em atividade. Consegue ser autoral e criativo em cada álbum. Transformas canções de Leonard Cohen ou Caetano Veloso em canções `drexlianas´ sem desfigurar as originais, mas trazendo um sutil sotaque…musical. Pois o moço aí fala seis línguas, e, no português e inglês, ele não desaponta ao cantar as suas referências.
Jorge Drexler – Amar La Trama-(2010).rar
