Tinha um certo preconceito pelo show deles. Sou bem fã dos discos, mas aquela atitude blasé em que liam trechos de livros no palco, não cola comigo. Mas, para a minha satisfação, errei e por muito: o show do Belle and Sebastian é um dos espetáculos que de cult só tem a fama.
Às 21h, pontualmente, no Luna Park, em Buenos Aires, as luzes se apagam e a trupe entra no palco e se inicia o espetáculo da banda irlandesa. Se eles queriam ser cult, foram bem meia-boca. O Stuart Murdoch pulando no meio da plateia e subindo pelas arquibancadas cantando, tava mais pra o pop que o Bono, ou quase lá.
O show começou com a boa música de abertura do mais recente ábum, Write About Love. Este não é o melhor CD da banda, mas briga forte pela segunda posição; já que o The Boy with the Arab Strap parece ser ainda intocável no primeiro lugar. Mas a primeira música do espetáculo “I didn’t see it coming” mostra uma face que você descobre com o Belle and Sebastian em cima do palco: músicas que trazem uma animação tímida, no ao vivo tomam cores e você nunca mais consegue ouvir aquela música como se não fosse a mais animada, sem que bata os pés no chão e cante involuntariamente trechos.
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Make me dance, I want to surrender
Your familiar arms, I remember
We’ve been going transcontinental
Got no car, we just take a rental
E o show seguiu como os fãs queriam. Pelo menos da onde eu estava parecia que estavam gostando. A plateia subiu em cima do palco, sucessos antigos, as músicas boas do novo disco, diálogos com o público, enfim… o pacote completo para que as milhares de pessoas que estavam naquela arena argentina voltassem com o sorriso no rosto para casa e as músicas em looping na cabeça.
E um bom show deixa dessas coisas. O show do Belle and Sebastian deixa as músicas deles mais belas. Assistir esse show nas terras portenhas tem o seu valor: como é bom sair de um show bacana e sabendo que você pode esticar para tomar um bom vinho com empanadas a preços módicos. Pensando bem, o show me fez pensar que Buenos Aires é ainda mais bacana! Para quem começou o texto subestimando a apresentação do Belle and Sebastian, parece que me conveceram. Pelo jeito, sim. Porque como diz aquele cara com um relógio de pulso grande e que é apresentador de tevê: “quem sabe faz ao vivo”.
Amy, Amy, Amy… Sim, pelo visto o a maior nome do Soul dos últimos anos vem ao Brasil: Amy Winehouse. Depois de dois CDs que já entraram para a história da música negra – Frank e Back to Black - e também depois de muitas capas de jornais, quilos perdidos, escandalos diários para os tablóides ingleses e clínicas de reabilitação, a talentosa moça londrina chega ao Brasil para a esperada turnê.
O show da Winehouse acontecerá em quatros cidades: São Paulo, Florianópolis, Recife e Rio de Janeiro. Nessas três primeiras cidades o show virá pelo festival Summer Soul, que conta com duas ótimas surpresas no line up, Janelle Monáe e Mayer Hawthorne. No Rio de Janeiro o show não contará com a estrutura do festival, será o show da Amy Winehouse e com a abertura da também fantastica Janelle Monae.
Janelle Monáe torna ainda mais imperdivel esses show. Para quem – como eu – é fã de um bom Soul, essa cantora traz com qualidade e frescor a boa música negra.
Confira as datas:
Florianópolis – dia 8 de janeiro no Summer Soul Festival
Rio de Janeiro, dia 11 de janeiro
Recife, dia 13 de janeiro, no Summer Soul Festival
São Paulo – dia 15 de janeiro, no Summer Soul Festival
Os ingressos estarão a venda com preços que variam de 100 a 700 reais para ver a Londrina em terras brasileiras. As entradas estarão à venda pelo site www.livepass.com.br e pelo telefone 4003 1527 (custo de ligação local).

Se não fosse pelo suspensório e pela calça de cintura alta, diriam que tinha um jovem ali em cima do palco. Doce ilusão, o Paul nos fez sentir que estávamos num show de um artista empolgado com a música, como se fosse ontem, como se estádios lotados não fossem sua vida desde sempre.
Mas quem estava ali em cima do palco era Paul McCartney, Macca, Sir. Paul McCartney, whatever. Um dos caras que contribui para a criação de tudo que entedemos de música pop hoje: turnês, conceitos de álbuns, vídeo clipes, gravações de discos e muita coisa. Isso importa para poucos [e detalhistas] fãs de música.
O maior legado de Paul McCartney para a música são suas canções, suas parcerias e o coração grande de quem, desde muito jovem, fez da sua rotina falar para as pessoas o que elas nunca achavam palavras para se entender; e lá vinha um menino de Liverpool e pronto.
Do seu pai até você – mesmo você se achando muito moderno –, o Paul consegue fazer vocês dois chorarem do mesmo jeito quando encosta os dedos cansados no piano e começa “When i find myself in times of trouble, mother Mary comes to me, speaking words of wisdom, let it be”. As lágrimas escorrem quando se repete quase como mantra Let it Be! “There Will be na Anwser, Let It Be”.
Não deve ser fácil abrir o coração para um estádio cheio e contar detalhes – em forma de música – de sua relação com o seu amigo de infância ["Here Today"] que foi assassinado loucamente por um lunático.
Nem deve ser fácil também cantar para milhares de pessoas, como se estivesse no piano em seu quarto escuro, a música que fez para a sua ex-esposa que morreu precocemente. Nada disso deve ser fácil, mas Paul deve saber bem disso. É para poucos a arte de cantar “Take a sad song and make it better” e realmente fazê-lo.
E cantar uma das músicas mais bonitas da música pop, de um cara que ele sempre cuidou como um irmão mais novo e tocá-la com o Ukelele dado por Harrison antes de morrer a Paul e que, desde então, ele sempre toca “Something” com ele. No fundo, parece que Macca tem um carinho de irmão mais velho com todos: faz com que todo mundo cante, anima o coro dos felizes depois das músicas, volta duas vezes para o bis para tocar uma música como Yesterday, que deve estar cansado de tocar, mas parece saber como é importante para quem está do outro lado.
Fãs do ieieiê, Wings, hippie, psicodélica ou qualquer outra fase que você acha que os Beatles e o Paul McCarteny tiveram, elas todas entraram no show. Desde a atual Dance Tonight até a All My Loving, o Sir fez um setlist que durou quase três horas, entre músicas e cantarolações junto com a plateia.
A apresentação é um dos espetáculos mais fantásticos do famigerado showbusiness, basta assistir à épica música para a trilha de 007: “Live and let Die”.
Longe dos fogos de artifícios disparados por cima do palco, estava a festa dentro de cada fã, ali no Estádio do Morumbi. Mesmo após o fim do show, os fãs foram embora cantando o trecho libertador de Hey Jude. Sabe o ”Na, na na na na na, na na na, Hey Jude“? Então, todo mundo cantando pelos corredores do estádio como se o show tivesse terminado, mas como se estivesse levando alguma coisa diferente daquele momento. Talvez um: “Remember, to let her into your heart,then you can start, to make it better.”

Eu sei que não tenho nada a ver com isso, mas roqueiro que passa lápis no olho [ou sei lá o que seja aquilo] já me inspira desconfiança. Eu fico imaginando: roqueiros devem ter muita coisa para fazer no camarim antes do show – uma delas é evitar que fiquem tão mal a ponto de não subir no palco – certamente atrasar o show para ver se sua maquiagem está boa não é uma delas, pelo menos na minha fertil imaginação.
Mas o cansado Rock ‘N Roll prega suas peças. O Green Day que há anos é acusado de ser vendido, se tornando comercial demais – muitas coisas com razão ou não – fez um dos shows mais pulsantes do rock neste ano.
Há 12 anos sem pisar no Brasil para shows, – da última vez que a banda veio ao Brasil Billie Joe ainda não passava lapis no olho – o Green Day surpreendeu incluindo mais cidades em sua agenda do que as tradicionais cidades brasileiras que recebem turnês internacionais. Porto Alegre, Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo foram as cidades que receberam o show dos californianos. Praticamente 3 horas de show. Claro que não sozinhos, pessoas da plateia subiram no palcos em algumas músicas e assim foi. Isso mesmo: 3 horas. Agradando desde os skateistas que ouviam Dookie no meio década de 1990 até os adolecentes que acompoanhavam American Idiot pela MTV. Públicos diferentes para a mesma banda. Como se não bastassem essas misturas, ainda coube no repertório o rock de outras gerações, como ‘Iron Man’ [Black Sabbath], ‘Rock N’ Roll’ [Led Zeppelin], ‘Sweet Child o Mine’ [Guns N' Roses], ‘Highway to Hell’ [AC/DC], ‘Satisfaction’ [Rolling Stones] e ‘Hey Jude’ [Beatles].
Deu pra perceber que pelas músicas que o Green Day foi político [no bom sentido], e conseguiu fazer bem o que, no minimo, se espera de um show de rock: emoção. Por isso, o incrível show do Green Day no Brasil foi mais do que um espetáculo de rock de roqueiros na crise de meia idade, mas um pedido de desculpa [não pelo lapis de olho] pelos 12 anos que ficaram sem passar por aqui. Que não demore tanto para a próxima vez.
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Sonho de adolescência realizado. Eu tava ali, bem perto do palco. Se aquele cuspe que o Steven Tyler dá no clipe de Crazy se repitisse, cairia ali, há alguns metros de mim [ainda bem!]. Usando a gíria dos maloqueiros, fui iniciado no rock com os vídeos-clipes do Aerosmith. Eu já ouvia rock, mas vendo os riffs, os solos e a atitude de Tyler, tive o start que precisava para explorar o mundo do rock na minha adolescência. Start que me levou pra frente e até deixe [em certos momentos] o rock para trás.
Em 1997, Comprei uma guitarra, e também o disco Nine Lives.
******
No último sábado estive, junto com milhares de pessoas, no estádio Palestra Itália para o show do Aerosmith.
O show foi inexplicável e poderoso. Mesmo com a regulagem do som abaixo do ideal, deu pra entender o porquê o Aerosmith é uma das bandas mais expressivas em cima do palco.
Nota mental: O Steven Tyler é, sem duvida, o maior front man de banda que já vi.
Nota mental 2: Voltar a ouvir discos como Get a Grip. Rock N´ Roll in natura.
Nota mental 3: Não esquecer a nota mental 2.
Já passou Akon, Beyonce, The Cranberries e Metalica. Há especulações de U2, John Mayer, Jack Johnson, The Who e etc.

A grande expectativa para 2010 é o baixista da maior banda pop da história da música, Paul McCartney. Aguardado há muitos anos, o canhoto, Sir McCartney, tira a poeira do baixo/guitarra/piano/etc… e faz shows em São Paulo, Rio de Janeiro e em Brasília – que comemora 50 anos.
Para não pegar você [e nem sua carteira] de surpresa, segue a lista de shows confirmados para aparecer nessas terras quente esse ano. Se programe e não deixe passar
Coldplay
Rio de Janeiro (28/02)
São Paulo (02/03) – Estádio Morumbi
Guns N’ Roses
Brasília (07/03)
Belo Horizonte (10/03)
São Paulo (13/03)
Rio de Janeiro (14/03)
Porto Alegre (16/03)
A-ha
São Paulo (10/03) – Credicard Hall
Rio de Janeiro (13/03) – Citibank Hall
Belo Horizonte (14/03) – Chevrolet Hall
Dream Theater
Porto Alegre (16/03)
Curitiba (18/03)
São Paulo (19/03)
Rio de Janeiro (20/03)
Locais a confirmar
Benediction
Salvador (19/03)
Belo Horizonte (20/03)
Campinas (21/03)
Franz Ferdinand
Porto Alegre (18/03) – Pepsi On Stage
Rio de Janeiro (19/03) – Fundição Progresso
Brasília (21/03) – Local a confirmar
São Paulo (23/03) – Via Funchal
P.O.D. (Payable On Death)
Goiás (20/03) – FASAM
Brasília (21/03) – UnB
Belo Horizonte (24/03) – Music Hall
São Paulo (25/03) – Via Funchal
Rio de Janeiro (26/03) – Clube Mauá
Recife (27/03) – Clube Português
Vitória, Espírito Santo (28/03) – Ilha Acústica (T.B.A.)
Epica
Curitiba (07/04) – Master Hall
Belo Horizonte (09/04) – Music Hall
São Paulo (10/04) – Via Funchal
Rio de Janeiro (11/04) – Circo Voador
Anti-Flag
São Paulo (15/04) – Via Funchal
Paul McCartney
Rio de Janeiro (16/04) – Maracanã
São Paulo (18/04) – Morumbi
Brasília (21/04) – Esplanada dos Ministérios
Social Distortion
São Paulo (17/04) – Via Funchal
Curitiba (18/04) – Curitiba Master Hall
Porto Alegre (20/04) – Casa do Gaúcho

Mais uma vez o Radiohead comprova que é uma das bandas que mais dialoga com as novas ferramentas de comunicação. Para quem curte o som desse ingleses, este canal possui vídeos de shows completos around the world.
Espetáculos na Argentina, Chile, Argentina e, até mesmo, no Brasil, fazem parte desta videoteca.
Os shows fazem parte da turnê mundial do álbum In Rainbows. As imagens dos vídeos geralmente são capturadas por celulares, câmeras fotográficas, etc. O melhor deste canal é que a assessoria da banda não entrou no meio com um processo para acabar a brincadeira, mas deixa os fã sentirem nostalgia com os shows, até mesmo dos quais nunca foram.
Abaixo segue o show na integra que aconteceu em São Paulo

Há quem diga que a melhor carreira solo do quarteto de Liverpool seja do apagado George Harrison. Após o rompimento dos Beatles, o tímido guitarrista se trancafiou em retiros em que passava os dias meditando sobre a orientação de Ravi Shankar. Dessa experiência bicho-grilo, surgiu um dos discos solos mais aclamados dos integrantes do Fab Four: all Things Must Pass.
Por outro lado, o braço esquerdo dos Beattles, Paul McCartney, tem uma reconhecida carreira solo. Os primeiros discos – o primeiro lançado ainda no auge das divergências entre os Beatles – foram bem avaliados e tiveram sucesso nas vendas. Na sequência, bons álbuns lançados com o Wings o consolidou em sua carreira dele fora dos Beatles.
Nos acréssimos de 2009, Paul lançou um disco que compila os bons momentos dos Beatles e de sua carreira fora da maior banda da história da música pop. O show foi gravado durante o Summer Festival ´09, em New York, e foi lançado nos últimos meses do ano que passou.
O resultado é um CD duplo com sucessos – ou não – deste virtuoso multi-instrumentista. O braço esquerdo inglês que escreveu as melodias e letras que ainda fazem parte do mostruário do que há de melhor na música pop.
Confira o CD duplo de McCartney –> download
Enquanto lá no outro lado do Atlântico, na ilha da rainha, o movimento musical da década de 1990, o Britpop, parece não ter mais força após o fim [mais uma vez] da banda referência do período, o Oasis. Enquanto isso, no Brasil, a situação é outra: as bandas ´noventistas´ estão fazendo mais barulho ainda – o barulho do caos.
Neste último final de semana, na sexta-feira, 18 de setembro, foi comemorado em São Paulo os 15 anos do lançamento do álbum Da lama ao Caos. O CD deu o pontapé inicial em um dos movimentos musicais mais emblemáticos da década passada – e um dos que mais tinha o que falar. Com shows das bandas Nação Zumbi, no Citibank Hall, e do Mundo Livre S/A, no Studio SP, os pernambucanos mostraram na capital paulista que o mangue beat continua a influenciar e a fazer história.
O manifesto “Caranguejo com Cérebro”, escrito por Fred 04, vocalista do Mundo Livre, foi responsável pela unidade ideológica entre algumas bandas de Recife, que contribuiu para formar o contorno de movimento a um grupo de pessoas que buscavam encontrar na riqueza regional ferramentas culturais fortes. “Hoje, Os ´mangueboys´ e ´manguegirls´ são indivíduos interessados em hip-hop, colapso da modernidade, Caos, ataques de predadores marítimos (principalmente tubarões), moda, Jackson do Pandeiro, Josué de Castro, rádio, sexo não-virtual, sabotagem, música de rua, conflitos étnicos, midiotia, Malcom Maclaren, Os Simpsons e todos os avanços da química aplicados no terreno da alteração e expansão da consciência.”, diz um trecho do manifesto.
“A importância do Nação Zumbi foi total, pois abriram caminho para essa nova geração e ainda abrem e estão bem na frente de todo mundo”, comenta Dengue, baixista da Nação Zumbi. Inspirados na trupe liderada pelo então vocalista, Chico Science, é que dezenas de bandas pernambucanas despontam na cena musical brasileira, ainda trazendo na essência a inovação do mangue beat (leia Bandeirantes Pernambucanos).
“Eu acho que o mangue beat é um movimento muito bom porque ele preza pela união dos artistas e ao mesmo tempo pela diversidade. Para artistas novos como o Mombojó, é muito gratificante fazer parte disso tudo. Muitas vezes nós já chegamos nos lugares ´ganhando de 1 a zero´ porque o nome de Pernambuco é muito valorizado por causa de artistas como a Nação Zumbi e o Mundo Livre”, confessa Marcelo Machado, integrante do Mombojó.
Os protagonistas desta efervescência não se consideram líderes ou mesmo o mangue beat como um movimento. “Nunca pensamos nisso como um gênero, um movimento como a bossa nova ou o tropicalismo. Não somos carro-chefe de nada”, comenta o guitarrista da Nação Zumbi, Lúcio Maia. Apesar de não se considerarem um movimento, a verdade é que tanto o Citibank Hall, quanto o Studio SP, estavam cheios de ´mangueboys´ e ´manguegirls´ para celebrar os 15 anos do lançamento do álbum do Da Lama ao Caos. Com participações de Fred 04, Otto e B Negão, o Nação fez, no dia 18, um show com repertório baseado no seu álbum debutante. Com a mesma potência da guitarra de Lúcio Maia e o peso da percussão da lama e do caos das raízes pernambucanas.
No dia seguinte ao show do Nação Zumbi, o Mundo Livre S/A subiu ao palco do Studio SP e destilou ao som do cavaquinho e da guitarra a nóia política e o maracutu do Samba Esquema Noise, lançado, também em 1994.
_enquanto isso…
Fred 04 está cada vez menos caos e mais pragmático. Tanto em sua participação no show do Nação Zumbi, na Conexão PE, no Citibank Hall, quanto em seu show no dia 19, o vocalista disparou contra a internet e contra o computador. Exigindo mais regulação sobre o compartilhamento de música na internet, mais vigilância.
O fim de semana do caos em São Paulo pode mostrar que, apesar dos quinze anos do “início”, o mangue beat está ainda pulsante e criativo. Sem parar de produzir, ao contrário, continua inovando e trazendo novas propostas musicais – ou de caos. Como diz a música chefe do Da Lama ao Caos: “É me desorganizando que posso me organizar”.
Pagar R$ 6,80 por um chopp Stella Artois numa sofisticada casa de show paulistana – a Bourbon Street – até que não estava tão mal. Peguei minha comanda e esperava pela birita que não vinha. Foi necessário o funcionário do caixa gritar [novamente] para o funcionário ao lado “tirar” o meu chopp. Não havia nada o que fazer: estava ecoando pelos auto-falantes a música de Jorge Drexler. Estava ali. Ao vivo. E surpreendendo até mesmo aqueles que, teoricamente, não foram ao Bourbon Street Club para participar da festa.
Provavelmente aquele barman já viu grandes nomes da música naquele palco – a casa de show já recebeu B.B King, Diana Krall, entre outros consagrados artistas. Mas um uruguaio que cantava, também, em italiano e morava na Espanha, isso sim era muito excêntrico. Contraditório, alguns poderiam dizer. Assim Drexler também se assume, como canta em Disneylândia, canção gravada em seu último álbum de estúdio – 12 segundos de oscurida
d – e composta por Arnaldo Antunes:
“Armênios naturalizados no Chile
Procuram familiares na Etiópia,
Casas pré-fabricadas canadenses
Feitas com madeira colombiana
Multinacionais japonesas
Instalam empresas em Hong-Kong
E produzem com matéria prima brasileira
Para competir no mercado americano”
Contradições que o acompanharam até uns dos momentos mais importantes de sua carreira: a premiação do Oscar. Mesmo sendo indicado ao prêmio de melhor canção pelo filme de Walter Salles, Diário de Motocicleta, não pôde cantar durante a festa, pois, segundo Drexler, não era, até então, famoso nos Estados Unidos.
O desfecho da história é conhecido: ganhou o prêmio de melhor canção e cantou duas estrofes de sua milonga, Al Otro Lado del Rio, deixando de lado o discurso de vencedor. O prêmio apenas consagrou para os americanos o talento deste uruguaio, já que desde 2000 ele tem recebido diversas premiações em países latinos. A canção vencedora do Oscar foi composta e gravada na mesma manhã em seu notebook e foi dessa mesma forma que ela chegou ao filme, à base de muita insistência de Walter Sales: sem regravar no estúdio, usada como ele recebeu em sem email, em MP3. Foi o necessário para Drexler receber a estatueta da maior festa de Hollywood.
E foi toda esta carga de talento que Jorge Drexler despejou na última quinta-feira, dia 2, em São Paulo. Sozinho no palco, apenas com seu violão, alternado com a guitarra, foi o bastante para fazer a sua música. Em algumas faixas, os dois auxiliares de som do músico o acompanharam ao palco, tocando desde serrote a ukulele, como na faixa em italiano Lontano, Lontano.
O show, intitulado de Cara B [Lado b], trouxe canções, em ritmo de milonga, de artistas que influenciaram a obra de Drexler, como Leonard Cohen e Caetano Veloso. Além de cantar em italiano, ele cantou em português, inglês, catalão e espanhol. Fazendo até uma versão em espanhol da música Sampa para os montevideanos. Jorge arriscou até o refrão de Billie Jean a pedido de um fã da platéia, para homenagear o Rei do Pop.
Quando enfim o barman me entregou o chopp senti que havia uns dois dedos a mais de colarinho. Nem pude reclamar. Com um artista tão talentoso a poucos metros, ali no palco, não era uma tarefa fácil se concentrar. Então logo pensei: que má hora para sair do meu lugar e comprar uma cerveja.
Nas linhas abaixo você não vai encontrar nenhuma tentativa de descrever o Radiohead, em especial, o show do dia 22 de março, em São Paulo, com frases “pra lá” de rebuscadas ou com um punhado de neologismo que tentam explicar esse mundo “radioheadiano” (Ok! Prometo que este será o último).
O que aconteceu neste último domingo na Chácara do Jóquei, na capital paulista, foi a junção de dois tipo de públicos: os curiosos e os fãs – extremamente apaixonados, para assistir uma das bandas que mais provoca reações mundo afora.
Os curiosos vêm daquele tipo de pensamento: “pô, sei que isso é bom. Mas ainda não sei o porquê”. Já os mais bem resolvidos são aqueles que conseguiram acompanhar o caminho percorrido desde o disco brit/pop/rock (ou qualquer nomenclatura cool) “Pablo Honey” – que traz a faixa Creep, que disputa com Loser, do Beck, o título de hit do adolescente fracassado – até o mais recente álbum, In Rainbows
E este público é grande. Só em São Paulo, mais de 30 mil pessoas se arriscaram a ganhar um banho de chuva e, ainda, gastar uma bagatela de R$100 a R$200 para assistir ao primeiro show do Radiohead em terras brasileiras. Apesar de mais de 20 anos de carreira, essa foi a primeira aparição destes ingleses de Oxford no Brasil. Por causa de tanta expectativa, São Paulo e Rio de Janeiro se tornaram “mecas tupiniquins” dos fãs (e curiosos) da banda. Por isso, o que não faltou foram ônibus vindos de norte a sul do país, para desembocarem no eixo Rio-São Paulo.
As bandas Los Hermanos e Kraftwerk abriram o show do Radiohead. Duas bandas de
peso: Los Hermanos era uma das maiores bandas do Brasil em 2007, quando repentinamente romperam as atividades para “jogar truco”, às terças a noite. Já a banda Kraftwerk surgiu no início dos anos 70 e preserva sua sonoridade até hoje. Com uma apresentação densa e de difícil compreensão, fez com que as pessoas que já gostavam da banda fossem os principais telespectadores desses quatro “tiozões” alemães.
Quem esperava um show empolgante do Los Hermanos, relembrando as performances dos rapazes em seu auge, ficou só na vontade. Aliado a uma falta de entrosamento, a aparelhagem que foi destinada à banda não ajudou os ex-barbudos. Os fãs de Los Hermanos esperavam por um show imponente do quarteto carioca. Mas, como o próprio tecladista do LH, Bruno Medina, reconheceu, o som não colaborou para o espetáculo: “tudo foi perfeito, a exceção de dois pormenores: a desconfiança de que a ordem do roteiro não favoreceu algumas músicas e a chateação que foi descobrir, ao final do show, que havia uma limitação imposta ao volume de nossa apresentação, por sermos a banda de abertura”, comentou o acanhado tecladista em seu blog.
Em São Paulo, às 22h
Os cinco ingleses (Thom, John, Colin, Ed e Phil) subiram às 22h no palco, com uma pontualidade característica da terra natal desses músicos; virtude rara neste lado de baixo do equador.
Com um setlist feito para fãs e curiosos, o show de São Paulo reuniu músicas conhecidas do público, como aquelas que passavam, por exemplo, no Disk MTV, como Karma Police, Paranoid Android, Fake Plastic Tree, Creep, entre outras.
Porém, bandas como o Radiohead não se limitam a execuções de músicas pontuais, como os singles lançados. A apresentação forte e sincera de cada música faz os sentimentos explodirem em cada compasso.
Confiante no seu “taco”, os ingleses executaram do início ao fim o seu mais recente álbum. Como poucas bandas conseguem, o Radiohead tocou faixa-a-faixa do In Rainbows sem perder o pulso da platéia que se convencia a cada música, interpretada por Thom Yorke, que ele sabia o que estava fazendo, e sabia bem qual música escolher para impressionar o público novamente em seguida.
O show pareceu um grande playback. Músicas com arranjos inimagináveis para o ao vivo. Nos telões que transmitiam as imagens do show para aquelas pessoas no fundo da Chácara do Jóquei e que só conseguiam enxergar os integrantes como pequenos bonecos lego, eram exibidas imagens em close das expressões de cada músico, com um filtro monocromático e transições arrojadas. Tudo isto trazia mais ainda a sensação de que tudo era um grande playback. Mas não era.
Acompanhado da explosão de cores que a montagem de luz trouxe, a turnê de In Rainbows fica marcada como um dos espetáculos de entretenimento mais bem produzidos da atualidade. Era uma montagem elegante, sóbria e ligada às notas que ecoavam pelos potentes altos falantes da estrutura do show. Enquanto Yorke cantava “every thing in its right place”, as luzes esculpiam no palco a letra da canção, simultaneamente.
Dessa forma, o show foi alternando entre o eletrônico e o rock. Mesmo com um setlist extenso, ficaram fora do repertório canções conhecidas do público como “High and Dry” e “No Suprise”.
Ao fim, a platéia já não sabia mais se pedia outros “bis” para a banda ou não, por dois motivos: primeiro que o show foi denso, mesmo antes do fim já se sentia uma sensação de sobrecarga de sentimentos com cada interpretação da banda; segundo porque o Radiohead saiu e voltou do palco duas vezes para tocar a “saidera”. Pedir, mais uma vez, o “bis” novamente parecia abusar do quinteto. Mas eles pareciam não se importar.
O saldo do show foi único, tanto para curiosos quanto para fãs: uma noite indescritível. Até os críticos, que geralmente são pessoas chatas, foram uníssonos quanto a qualidade do Radiohead em cima do palco: uma banda madura e que sabe o que faz
Então, terminando essas poucas linhas de texto que faltam, “corra” para o youtube, procure os vídeos da apresentação no Brasil e sinta essa explosão de cores da atual turnê do Radiohead. Aproveite e tente entender como eles conseguiram deixar 30 mil pessoas perplexas – o que, apesar de ser uma sensação nova para a maioria do público, deve ser rotina para eles, do Radiohead.

Damien Rice em São Paulo
“Cuidado com o que você pede, pois pode ser que você consiga”, essa máxima se fez valer no show de Damien Rice na última sexta-feira, dia 30, em São Paulo. Quase 2 mil pessoas encheram o Citibank Hall para assistir o primeiro show do músico irlandês em terras tupiniquins.
Show improvisado, em que o público praticamente montou junto com Rice o set list da apresentação. Entre uma música e outra surgiam gritos da platéia e que eram prontamente atendidos. “Deixa eu escolher a próxima canção e depois você escolhe”, brincou o astro da noite enquanto choviam pedidos de músicas da platéia.
Damien Rice tem, ao mesmo tempo, muito e pouco de um astro. Dotado de um talento “gritante” e original, o cantor se comporta em cima do palco com a naturalidade dos artistas de ruas – daqueles bem talentosos. Característica talvez guardada do tempo que abandonou a chuvosa Dublin para tocar pelas ruas de Toscana, na Itália.
Em sua apresentação em São Paulo, Rice misturou um pouco de músico de rua, com karaokê, teatro, concerto, e outras milongas mais; além de um bafo de várias taças de vinho tinto, bebidas em sua dramatização de Cheers Darlin’, ao lado de dois fãs.
Apenas acompanhado de seu violão, Damien Rice subiu ao palco para fazer entrar em contradição aqueles que acreditavam que uma performance acústica não seria tão impactante quanto os seus álbuns de estúdio. E não foi, foi mais ainda; a
s interpretações ao vivo de suas próprias músicas, beiravam a uma releitura de si mesmo. E sobre a Lisa Hannigan e a banda com cello, baixo e bateria? Devem ter sido lembrados apenas depois show, no papo entre os amigos sobre a apresentação.
O show começou com a canção The professor & la fille danse, uma música teoricamente desconhecida e que somente foi lançada, em 2004, num disco intitulado B sides, mas que já nas primeiras chacoalhadas da mão de Damien nas cordas do violão foi o bastante para fazer o público gritar e cantar, acompanhando a letra da música inicial. Em seguida, Rice executou a música Delicate, e, na seqüência, para atender um grito que veio da platéia tocou Sand. Esta última uma música que nunca foi lançada em álbuns oficiais ou nos vários discos singles feitos pelo irlandês.
Dessa forma seguiu o show: uma música do palco e algumas que vieram da platéia. Até a hora em que uma parte da platéia subiu ao palco, a convite de Rice, e cantou o refrão de Volcano. Um presente para os fãs fiéis que estavam lá e que, por alguns momentos, tiveram a oportunidade de dividir o palco com seu ídolo. “Eu estava lá, imediatamente ao seu lado, fascinado com minha sorte, sua aparência frágil e a força de sua voz o tornam irreal apesar de estar ali ao meu lado”, conta, não acreditando, o “tiete” Marcelo Moraes. [youtube=http://www.youtube.com/watch?v=ujIB1HKBR24]
Com pouco mais de duas horas de show, um pouco de tudo aconteceu: atendeu aos pedidos da platéia, pediu para desligar todas as luzes da casa de show, inclusive as do palco para cantar, em completa escuridão, Cold Water; dispensou o microfone e cantou no captador do violão o final da letra de I Remember; desligou o microfone e o violão para cantar Delicate para a platéia, apenas “na madeira”; tocou a música do poeta canadense Leonard Cohen, Hallelujah, na versão de Jeff Bucley; convidou Max de Castro pra tocar o clássico da Bossa Nova, Desafinado, apenas porquê não ele sabia “those fuck jazz’s chords”, entre outras muitas peripécias de um artista de rua que ousa excursionar pelo palcos do mundo com a sua música.
O show deixou claro que Damien Rice é muito mais do que o clichê de ser um cantor folk. Apesar do gênero estar na moda, e nomes como Jonny Cash, Neil Young e Bob Dylan estarem na boca, até de meninas de 16 anos que acham cool ser folk; Rice vai além desse estereotipo e consegue voltar à essência deste ritmo raiz.
Apenas com um violão e a sua voz canta uma música do povo, diferente daquela cantada há 40 anos, até por que a demanda desta juventude é outra, e parece que esse, nem tão jovem, irlandês procura seguir seu próprio ruma na musicalidade. Assim como Robert Zimmerman, fez em 1965, sem deixar de ser folk.
Ativista de carteirinha
Após sete anos do lançamento do seu primeiro álbum, O, a sua turnê só aconteceu no Brasil por um motivo: para levantar fundos para as vítimas da chuva em Santa Catarina. Damien Rice participa de campanhas de caridade ao redor do mundo com muito engajamento, além de ser vinculado a algumas organizações de caridades não-governamentais.
No ano passado participou de álbum lançado em prol da causa do Tibet, além de ter ajudado famosas campanhas como a Freedom Campaing, pela luta dos direitos humanos.
A pedido de uma amiga, Rice topou vir ao Brasil para fazer um show em SC, doando o seu cachê aos necessitados. Com essa brecha, foi possível encaixar um show em São Paulo e uma participação na gravação do DVD, no Rio de Janeiro. Mostrando que esse talentoso Irlandês está além do “é isso aí”, e que carrega no, seu violão, uma arte cheia de sentindo, mas não o mesmo sentido do show business.
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